9 de ago de 2017

Garotinho de 3 anos se lembra de quem o matou em vida passada



Esta é a extraordinária história de um garoto sírio de 3 anos. Ele é de um pequeno assentamento nas colinas de Golã (Território onde 1/3 da parte oriental é controlada pela Síria e os 2/3 da parte ocidental é controlada por Israel) e contou aos adultos de sua vila algo desconcertante.

Com apenas 3 anos, ele já pode falar muito bem para sua idade. Ele usa essa habilidade para falar para os mais velhos de sua vila algo inacreditável: o garoto consegue se lembrar de ter sido morto.
No começo, seus pais ignoraram; as crianças sempre falam besteira, pensaram. Mas o pequeno insistia constantemente na história. Suas memórias o atormentavam. Ele se lembra de imagens terríveis envolvendo um machado e uma briga. Ele era tão detalhista que seus pais passaram a acreditar na história, que logo se espalhou pela vila.
O garoto diz que foi morto com um machado em sua vida passada. Mas o que é ainda mais inacreditável: ele diz se lembrar de sua antiga cidade e do seu assassino.
Graças à descrição do garoto, os habitantes da vila foram capazes de encontrar a cena do crime.
O garoto reconhece um dos moradores, o surpreende e diz: “Eu era seu vizinho. Nós tivemos uma briga e você me matou com um machado”. O homem ficou branco como giz. “Eu sei até mesmo onde você enterrou meu corpo”, concluiu o garoto.
Deixando todos ainda mais embasbacados, o garoto foi capaz de descrever nos mínimos detalhes onde o corpo estava: embaixo de uma pilha de pedras. A ferida fatal em uma caveira estilhaçada estava exatamente no mesmo lugar onde o garoto tem a marca de nascença.
O assassino confessou o crime imediatamente e foi condenado pelo assassinato. Depois disso, o garoto passou a ser menos atormentado pelas lembranças. Muitos cientistas, embora incrédulos, se interessaram pelo caso e foram feitas pesquisas nos temas de experiências de quase morte e reencarnação. 

3 de ago de 2017

Tia Vera

Minha tia Vera que nos deixou hoje, 3 e minha prima Lila.
A vida é feita de alegrias e de tristezas, mas não assim tão simples.
De que é feita a vida mesmo?
Alguém me explica.

 
são de lembranças e de querer bem,
são de desafios
e de perderes e de ganhares
a vida é feita de afeto e de abraços
de estar no mais alto possível e de repente saltar e mergulhar no mar...

 
se soltar, se desprender, se deixar de ter para apenas ser
ser na lembrança de cada um uma gota de amor, ser um raio de sol de uma linda brincadeira na infância.

 
é ser o que já era
é ser primavera
ou ter a Vera
aqui na lembrança eterna
de saber que a vida é bonita
e é pra ser vivida
mesmo que ela não mais seja
mas dentro de nos, seus frutos
na nossa lembrança esteja

 
A vida é feita de alegrias e de tristezas, mas não assim tão simples.
De que é feita a vida mesmo?
Alguém me explica.

27 de jul de 2017

A vida de Popó vai virar série no canal TNT



O site do Correio 24 horas publicou matéria de uma produção que irá contar a história do pugilista baiano Acelino Freitas, o Popó, os testes para o elenco são em Salvador entre segunda (31) e sexta-feira (4). Os interessados devem enviar informações para o e-mail castingirmaosfreitas@gmail.com. No e-mail devem ter,  fotos atuais; links de trabalho; idade; altura; telefone e currículo. Qualquer pessoa, mesmo sem experiência, pode se inscrever.

Mas a preferência, inicialmente, será pelos seguintes perfis: homens entre 19 e 25 anos – musculosos, morenos, com perfil de lutador de boxe (que se assemelhe a Popó); mulheres negras entre 50 e 60 anos (para ser a mãe de Popó) e mulheres morenas, negras e brancas entre 20 e 30 anos.

A produção é da Gullane Filmes e a série será exibida pelo canal TNT, da TV por assinatura. O roteiro e a direção são do baiano Sergio Machado (‘Cidade Baixa’, ‘Quincas Berro D’água’).

26 de jul de 2017

IV Encontro de Política e Gestão Culturais tem debate e apresentação de novos projetos

Em vez de avançar, resistir. Trocar de verbo, no contexto político atual, passou a ser uma necessidade, na visão da pesquisadora, antropóloga e consultora Claudia Leitão, palestrante convidada do IV Encontro de Política e Gestão Culturais da Bahia. Professora com doutorado pela Universidade de Sorbonne, na França, Claudia foi um dos destaques no primeiro dia do IV Encontro de Política e Gestão Culturais, realizado no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana.

Promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), através da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), a abertura do encontro atraiu centenas de dirigentes municipais, gestores e cidadãos interessados em debater a política cultural. O secretário de Cultura, Jorge Portugal, esteve em Feira de Santana, logo no início dos trabalhos, para dar boas vindas aos participantes do encontro.

Na mesa de abertura, com o tema “Futuros Rumos da Política Cultural: Bahia e Brasil”, Claudia Leitão lembrou da criação do Ministério da Cultura por Celso Furtado, em 1986, e a criação da primeira lei de incentivo, a Lei Sarney, que segundo a professora, permitia uma maior participação de cidadãos no investimento de projetos culturais. Para a professora, o Brasil não consegue ser um país pequeno. “Temos talentos em gastronomia, moda, artesanato, música e várias outras manifestações das culturas tradicional e popular”, disse Claudia Leitão.

Afirmando que “só é livre quem pode fazer escolhas”, a professora relacionou o conceito de liberdade à cultura e defendeu o fortalecimento das ações de gestão democrática, com a criação de leis, conselhos e órgãos culturais. Provocado pelo superintendente de Desenvolvimento Territorial da Cultura, Sandro Magalhães, na segunda etapa do debate, Claudia defendeu o fortalecimento da cidadania cultural e considerou como heroica a atual fase de resistência. A pesquisadora respondeu também a uma série de perguntas de participantes, que lotaram o anfiteatro.

Municípios culturais – O IV Encontro de Política e Gestão Culturais prosseguiu com a realização de uma apresentação do superintendente de desenvolvimento territorial da cultura, Sandro Magalhães, sobre o Programa Municípios Culturais, que já conta, hoje, com 67% de participação das prefeituras baianas. São 279 de um total de 417. Na oportunidade foi entregue o selo adesão ao programa a prefeitos e dirigentes municipais presentes.
O superintendente apresentou também o Panorama do Roda Cultura Bahia, que percorrerá territórios de identidade do estado com a proposta de promover debates com o secretário de cultura Jorge Portugal e dirigentes da SecultBA.

Ainda no primeiro dia aconteceu a programação de mais seis fóruns:  IX Fórum de Dirigentes Municipais de Cultura; o IV Fórum de Conselhos Municipais de Cultura; o IV Fórum de Legisladores Culturais; o II Fórum de Gestores Sociais da Cultura da Bahia; o II Fórum de Espaços Culturais da Bahia e o II Fórum de Espaços Culturais.

Estiveram presentes ao encontro os principais dirigentes de cultura do Estado, como o presidente da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, o diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, João Carlos Oliveira, e a diretora da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), Rita Tourinho, além da assessora Cristina Taquari, representando Arany Santana, atual diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias.

E nesta quarta-feira (26), entre os destaques do segundo dia do encontro, acontece pela manhã a apresentação das ações da Secretaria de Cultura e das suas vinculadas, relatos e experiências de gestões culturais com representantes de Conceição do Coité, Conceição da Feira e Itabuna, além da programação dos fóruns durante a tarde. A plenária final está marcada para 16h. A programação completa está disponível no blog https://encontropoliticaegestao.wordpress.com/

25 de jul de 2017

Últimos dias de inscrições na convocatória Ocupe Seu Espaço

Falta apenas uma semana para o encerramento das inscrições na 2ª chamada pública da convocatória de Ocupação de Pautas Artístico-Culturais dos Espaços Culturais da SecultBA – Ocupe Seu Espaço, uma seleção que busca impulsionar a difusão, democratizar o acesso, dinamizar os espaços e contribuir para o cumprimento dos objetivos das políticas culturais na dimensão territorial da cultura. As inscrições, iniciadas em 30 de junho, terminam na próxima segunda-feira, 31 de julho de 2017, e são feitas por meio eletrônico, conforme orientações e documentos disponíveis na página do Ocupe Seu Espaço. O resultado pode ser conferido no mesmo site, após 20 dias do término das inscrições.

A primeira chamada, que aconteceu para ocupação do período de maio a agosto, recebeu 144 propostas sendo 125 aprovadas. Desta vez, além das inscrições serem realizadas via formulário eletrônico com ampliação do prazo para 30 dias, passa a ser optativo haver ações e/ou mobilização de público. Muda também o horário de funcionamento das salas multiuso, as condições para participação, esclarecimentos em relação a atividades apoiadas pelos editais do Fundo de Cultura – FCBA, interpretação para taxa caução, inclusão de três opções de datas/períodos para realização e a assinatura do Termo de Compromisso e Responsabilidade, sujeito a desclassificação se não cumprido no prazo indicativo.
Podem participar desta chamada propostas artístico-culturais, dos mais variados setores e expressões da cultura, apresentadas por pessoas físicas ou jurídicas de natureza cultural, que intencionem ocupar as salas principais, anfiteatros, foyers/galerias, áreas externas e salas multiuso de espaços culturais em diversos municípios da Bahia. Em Salvador, são os seguintes espaços: Casa da Música, Centro Cultural Plataforma, Cine-Teatro Solar Boa Vista, Espaço Cultural Alagados e Espaço Xisto Bahia. Em outras cidades da Bahia, participam: Casa de Cultura de Mutuípe, Centro de Cultura de Guanambi, Centro de Cultura ACM (Jequié), Centro de Cultura Amélio Amorim (Feira de Santana), Centro de Cultura de Alagoinhas, Centro de Cultura de Porto Seguro, Centro de Cultura João Gilberto (Juazeiro), Centro de Cultura Olívia Barradas (Valença), Cine-Teatro Lauro de Freitas e Teatro Dona Canô (Santo Amaro).

Por meio de comissões individuais para cada equipamento, serão montadas agendas para o período de 01 de setembro a 21 de dezembro de 2017. A avaliação se dará com base no mérito artístico e relevância da proposta artístico-cultural; na viabilidade de execução da proposta; na experiência e qualificação dos profissionais e artistas envolvidos; e na consonância com as políticas culturais. As propostas selecionadas terão desconto de 50% sobre os valores de pauta ou percentual de bilheteria. Não há, no entanto, nenhum outro tipo de apoio financeiro ou repasse de recursos.
O trabalho é desenvolvido pela SecultBA, através da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult). Mais informações no site www.cultura.ba.gov.br

OCUPAÇÃO DE PAUTAS ARTÍSTICO-CULTURAIS DOS ESPAÇOS CULTURAIS DA SECULTBA – OCUPE SEU ESPAÇO

Inscrições: de 30 de junho a 31 de julho

Período de ocupação: 01 de setembro a 21 de dezembro de 2017
As inscrições e documentos disponíveis estão na página http://www.cultura.ba.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=198
Mais informações: ocupe@cultura.ba.gov.br

21 de jun de 2017

A morte da cultura brasileira


A justificativa do pedido de demissão do cineasta João
Batista de Andrade, terceiro ministro da Cultura, a carta dos Fórum de
Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura são os pontos que fazem parte do
comentário de Fabio Del Porto sobre a problemática do universo cultural que vem
sofrendo a cada dia. Esses fatos somados a outras barbaridades demonstram que a
cultura brasileira está morrendo. Assista e comente.

Carta do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura

Diante dos novos fatos que envolvem os motivos da renúncia do ministro interino do MinC e da grave situação em que Ministério se encontra, o Fórum de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura vem a público se manifestar: 
1. Desde o processo de mudança no Governo Federal, o Ministério da Cultura não se recuperou em sua integridade. Em carta assinada pelos dirigentes deste Fórum em maio de 2016, exigíamos a manutenção do MinC em sua integridade e contra sua extinção, qualquer tipo de fusão  ou sua transformação em secretaria nacional; 
2. A manutenção do MinC na estrutura do Governo ocorreu em função da mobilização e pressão dos campos artísticos e culturais junto com a sociedade brasileira e não por uma determinação política e estratégica do Governo; 
3. No dia 16/03/2017, o Fórum de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura esteve em reunião com o então ministro Roberto Freire e lhe entregou um documento com uma pauta pragmática cobrando pelo menos os cumprimentos contratuais dos objetos firmados em torno dos convênios entre o MinC e as secretarias estaduais de cultura: Programa Cultura Viva/Pontos de Cultura,  edital Economia Criativa, edital do Sistema Nacional de Cultura, Emendas Parlamentares, PAC das Cidades Históricas, Arranjos regionais da ANCINE, Mapas da Cultura e SNIIC; 
4. Em todo esse período o MinC não foi e nem tem sido capaz de aprovar qualquer Plano de Trabalho, responder diligências, empenhar recursos, ordenar despesas e repassar recursos financeiros referentes aos convênios com os estados da federação brasileira, acarretando em prejuízos imensuráveis para a política de descentralização dos recursos e do pacto federativo de fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura; 
5. As palavras do ex-ministro interino, João Batista de Andrade, em entrevista à Rádio Jovem Pan de São Paulo no último dia 16/06, sobre "um Ministério inviável", que "virou um lugar vago onde todo mundo é candidato sem qualquer ideia de política cultural", revelam, na verdade, a percepção, o lugar e o papel da cultura, das artes e da política cultural para o Governo que por hora dirige o país. 
Dito isso, o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura denuncia com veemência o desrespeito institucional não só com o Ministério da Cultura, mas com toda a comunidade cultural, com o riquíssimo patrimônio cultural brasileiro, o que, em última análise, é um desrespeito com a sociedade e com a garantia constitucional do direito à cultura e do acesso aos bens e serviços culturais a todos os brasileiros e brasileiras. 
O Fórum de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura vem, outra vez, defender a integralidade do Ministério da Cultura e reafirmar seu lugar e o papel das políticas culturais para o desenvolvimento do Brasil, sua soberania nacional, o pensamento crítico e inventivo dos brasileiros, o desenvolvimento social e econômico, bem como para o exercício pleno da democracia. 
Nestes termos, e tendo em conta a evolução recente do quadro político, o desmonte das conquistas históricas das políticas publicas de caráter social, entre elas as de Cultura, o Fórum manifesta o desejo de um novo pacto democrático para  o país.
Assinam:
Fabiano dos Santos PiúbaSecretário da Cultura do Ceará
Presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura
Karla Kristina Oliveira MartinsDiretora Presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour do Estado do Acre
Mellina FreitasSecretária de Estado da Cultura de Alagoas
Sandro MagalhãesSuperintendente de Cultura da Secretaria da Cultura da Bahia
Guilherme ReisSecretário de Cultura do Distrito Federal
João Gualberto Moreira VasconcellosSecretário de Estado da Cultura do Espírito Santo
Diego GaldinoSecretário de Estado da Cultura do Maranhão
Angelo Oswaldo de Araújo SantosSecretário de Estado de Cultura de Minas Gerais 
Leandro CarvalhoSecretario de Estado de Cultura de Mato Grosso
Lau SiqueiraSecretário de Estado de Cultura da Paraíba  
Marcelino GranjaSecretario de Estado da Cultura de Pernambuco
Fábio NovoSecretario de Estado da Cultura do Piauí
João Luiz Fiani
Secretário de Estado da Cultura do Paraná
André Lazaroni
Secretário de Estado da Cultura do Rio de Janeiro
Isaura A. S. R. Maia
Presidente da Fundação de Cultura José Augusto do Estado do Rio Grande do Norte
Rodnei Antonio Paes
Superintendente da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer de Rondônia
Selma Mulinari
Secretária de Estado da Cultura de Roraima
Rodolfo Joaquim Pinto da Luz
Presidente da Fundação Catarinense de Cultura
Irineu Fontes
Secretário Executivo de Cultura de Sergipe

Administrar cultura se transformou em cortar custos

| Foto: Marcos Santos/Jornal da USP
 “Cultura popular é deixada de lado; os produtores parecem que são culpados pelas despesas”, afirma Maria Cristina


A justificativa do pedido de demissão do cineasta João Batista de Andrade, terceiro ministro da Cultura de Michel Temer, na última sexta-feira (16), é sintomática do status que a pasta adquiriu sob o atual governo. Ainda interino, Andrade alegou “desinteresse em ser efetivado como ministro da Cultura”. Temer assumiu o Planalto extinguindo o MinC no dia 13 de maio de 2016, mas com a pressão do setor, artistas e produtores culturais, recuou e “recriou” a pasta uma semana depois.

“A cultura está sofrendo muito com a crise do país, na medida em que administrar está se transformando em cortar custos, e não privilegiar e desenvolver programas, avaliar desempenho, consultar os produtores”, diz a professora Maria Cristina Castilho Costa, titular em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP).

Mas ela ressalta que esse estado de coisas não se restringe à esfera federal e nem ao setor cultural.”De maneira geral, administrar se transformou em cortar custos, principalmente com medidas que acabam sendo como as pragas do Egito, como gafanhotos. Atacam tudo independentemente dos conteúdos e da avaliação.”

Maria Cristina lembra que a cultura não está sofrendo apenas com Temer. Em São Paulo, por exemplo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) extinguiu em fevereiro a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, demitindo com uma canetada 65 músicos de uma das principais bandas do país. Alckmin justificou a medida dizendo que gastava com a banda R$ 7 milhões, que seriam destinados ao projeto Guri.

“Investimentos como esse vão demorar muito tempo para se recompor. Como a crise hídrica de São Paulo. São perdas difíceis de recuperar. A cultura popular está sendo deixada de lado, os produtores parecem que são culpados pela despesa que têm. Hoje cultura é desperdício, e não investimento”, diz a professora da ECA.

Para piorar, as dificuldades da cultura no país são agravadas pela globalização, que torna o setor ainda mais frágil diante do mercado internacional. “No cinema, por exemplo, temos uma avalanche de filmes estrangeiros que ficam em 50 salas. E o filme brasileiro não é visto. Como as pessoas dizem que não gostam de filme brasileiro se nem assistem?”, observa Maria Cristina. “Diante da agressividade do mercado internacional, a fragilidade em que estamos, ao encarar a cultura seja como luxo, seja como desperdício, está se ceifando uma produção que precisamos ter. Não tem como adotar as leis de mercado na cultura.”

“Desinteresse”
O principal motivo do “desinteresse” de João Batista de Andrade pela pasta é o corte de 43% no seu orçamento, segundo sua carta de demissão. O primeiro ministro da Cultura de Temer foi Marcelo Calero, que tomou posse em 21 de maio de 2016, após a “recriação” do MinC. Ele deixou a pasta seis meses depois, com acusações ao então ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, para liberar a obra de um prédio em Salvador onde o próprio Geddel tem um apartamento, segundo reportagem da GloboNews.

Calero colecionou desafetos como ministro. Criticou os protagonistas do filme Aquarius (dirigido por Kleber Mendonça Filho), que fizeram um protesto contra Temer no Festival de Cannes que teve repercussão internacional e foi vaiado inúmeras vezes em eventos públicos.

O ministro seguinte, Roberto Freire, é presidente do PPS, partido que apoiou o impeachment de Dilma sob a liderança do próprio Freire. Ele se demitiu em maio passado, também seis meses depois de assumir e logo após o escândalo da JBS envolvendo Temer.
O substituto de João Batista de Andrade vai ser anunciado depois que Temer voltar da viagem de quatro dias à Rússia e à Noruega, iniciada nesta segunda-feira.

O Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura divulgou carta aberta, assinada por 19 secretários de estados do país, na qual criticam a política de Temer para o setor. Segundo eles, ” o MinC não foi e nem tem sido capaz de aprovar qualquer Plano de Trabalho, responder diligências, empenhar recursos, ordenar despesas e repassar recursos financeiros referentes aos convênios com os estados da federação brasileira, acarretando em prejuízos imensuráveis para a política de descentralização dos recursos e do pacto federativo de fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura”.

Eduardo Maretti
Da RBA